juventude
tenho medo de envelhecer. mais do que fisicamente, eu tenho medo de envelhecer na alma, nas vontades. e eu já sou tão velha - sempre pensando nas responsabilidades, seriedades e senilidades - que dá medo. olhar no espelho e ter a certeza de que um dia aquele rosto não será mais tão bonito. olhar os cadernos e perceber que os filmes, músicas e tudo o mais. acabou. tudo besteira, vidrilho. eu quero ser jovem para sempre. não tem nada mais bonito do que a juventude, o esplendor e a gana de conhecer o mundo com olhos, boca e mãos. penso que deve ser o fim da adolescência batendo em minha consciência. o tempo das unhas pintadas de preto, das músicas do billy corgan e da depressão que vinha sem aviso, os altos e baixos. estou cada vez mais estável. e a estabilidade me entedia. a vida me entedia. contar os dias e as notas, os livros que já não me interessam. deitar e assistir o escurecer, all over again. sorver todos os cigarros sem gosto, beijar todos os homens e mulheres, mas sem fervor algum. o coração estéril, o corpo estéril. acordar e dormir cada vez mais tarde. dormir. viver todos os sonhos lúcidos. é triste perceber que os anos escorrem pelos dedos, escapam em meio ao topor de um dia quente demais, tão quente e claro que tudo o que eu tenho vontade de fazer é deitar no campo de flores de papel eand watch my vanilla sky fly over me.
Posted by migraine at 06:58 PM | 1 comments
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